Últimas horas em Auckland
Nos dois dias que se seguiram ao Natal conversei bastante com Dago. Ficamos bem amigos e fumamos vários baseados juntos:
- Ô Thiagão, véio... vai não, véio! Fica aí, vamo passá o ano novo junto, vamo bebe todas e desencaná.
- Pô, cara, preciso ir. Tô sem grana, não tenho nada.
- Fica ae, mano. Eu te banco, cê pode dormir no meu quarto, ninguém precisa saber. Que se foda essa portuguesa do caralho.
- Não, cara, não posso ficar te devendo, não sei quando vou ter grana de novo.
- Véio, se não tiver grana, não paga. Tô te falando, Thiagão, fica aí que eu te banco!
O fato é que eu estava a fim de sair fora. Não gostara de Auckland, a experiência de encarar o Brasil e lembrar que no fundo não passava de um brasileiro no exterior tinha sido dura demais. As coisas também pareciam que iam demorar para esquentar em Auckland, o mercado de dishwasher não estava muito favorável naquele fim de ano. As fazendas pareciam ser novamente a melhor alternativa. É, de fato estava decidido: não passaria o Réveillon em Auckland!
Analisei minhas alternativas: Tom, o inglês, ou Nicolas e Javier, os chilenos. Se passasse uma temporada com os chilenos poderia, por fim, aprender espanhol. Já Tom era gente fina, mas era europeu e certamente não encararia o trabalho da mesma forma que eu. Além do mais ele sempre pegava as melhores garotas para ele.
Optei pelos chilenos.
Mandei uma mensagem para os dois dizendo que chegaria antes do fim de ano.
Antes de partir me reuni com os brasileiros. Todos disseram que me ajudariam caso eu quisesse ficar:
- O meu rei, fica aí, que vai mexer com colheita que nada. Fica aí que em janeiro tu arruma um trampo bom num restaurante.
Subi para arrumar minhas malas, mais tarde os brasileiros se reuniram com os argentinos no porão. Alguém trouxera um violão e uma rodinha de música rolava, uma hora com músicas em português, outra com músicas em espanhol. No chão a argentina que chorara por causa dos chocolates beijava Marcelo, o mulato que veio da Austrália.
- Rapaz, num é que a bichinha gosta mesmo dum chocolate?
No exterior as características são mais fortes. Conviver com tantas nacionalidades diferentes te faz prestar atenção em todas nuances culturais, você pega facilmente todas qualidades e defeitos dos seus semelhantes e pode fazer um julgamento melhor sobre como o meio em que você vive te transforma. A experiência no Oceanic não foi das mais enaltecedoras para formar minha visão do povo Brasileiro. No entanto descobri que, apesar de tudo, o brasileiro é solidário. O engraçado é que essa solidariedade não está relacionada com nenhuma formação de caráter comum, não ligamos para honra, para mérito, para dignidade. Somos solidários mais porque temos uma coisa que, infelizmente, não sei como chamar. Alguns chamam de bom coração, outros chamam de amor, mas o fato é que é um sentimento que nunca encontrei tão forte em nenhuma outra nacionalidade. É algo que nos faz brasileiros, que nos faz ser um povo diferente, cheio de contradição, cheio de sofrimento e alegria.
Cada brasileiro sabe a dor e a delícia de ter um passaporte verde.
Fim da quinta temporada
- Ô Thiagão, véio... vai não, véio! Fica aí, vamo passá o ano novo junto, vamo bebe todas e desencaná.
- Pô, cara, preciso ir. Tô sem grana, não tenho nada.
- Fica ae, mano. Eu te banco, cê pode dormir no meu quarto, ninguém precisa saber. Que se foda essa portuguesa do caralho.
- Não, cara, não posso ficar te devendo, não sei quando vou ter grana de novo.
- Véio, se não tiver grana, não paga. Tô te falando, Thiagão, fica aí que eu te banco!
O fato é que eu estava a fim de sair fora. Não gostara de Auckland, a experiência de encarar o Brasil e lembrar que no fundo não passava de um brasileiro no exterior tinha sido dura demais. As coisas também pareciam que iam demorar para esquentar em Auckland, o mercado de dishwasher não estava muito favorável naquele fim de ano. As fazendas pareciam ser novamente a melhor alternativa. É, de fato estava decidido: não passaria o Réveillon em Auckland!
Analisei minhas alternativas: Tom, o inglês, ou Nicolas e Javier, os chilenos. Se passasse uma temporada com os chilenos poderia, por fim, aprender espanhol. Já Tom era gente fina, mas era europeu e certamente não encararia o trabalho da mesma forma que eu. Além do mais ele sempre pegava as melhores garotas para ele.
Optei pelos chilenos.
Mandei uma mensagem para os dois dizendo que chegaria antes do fim de ano.
Antes de partir me reuni com os brasileiros. Todos disseram que me ajudariam caso eu quisesse ficar:
- O meu rei, fica aí, que vai mexer com colheita que nada. Fica aí que em janeiro tu arruma um trampo bom num restaurante.
Subi para arrumar minhas malas, mais tarde os brasileiros se reuniram com os argentinos no porão. Alguém trouxera um violão e uma rodinha de música rolava, uma hora com músicas em português, outra com músicas em espanhol. No chão a argentina que chorara por causa dos chocolates beijava Marcelo, o mulato que veio da Austrália.
- Rapaz, num é que a bichinha gosta mesmo dum chocolate?
No exterior as características são mais fortes. Conviver com tantas nacionalidades diferentes te faz prestar atenção em todas nuances culturais, você pega facilmente todas qualidades e defeitos dos seus semelhantes e pode fazer um julgamento melhor sobre como o meio em que você vive te transforma. A experiência no Oceanic não foi das mais enaltecedoras para formar minha visão do povo Brasileiro. No entanto descobri que, apesar de tudo, o brasileiro é solidário. O engraçado é que essa solidariedade não está relacionada com nenhuma formação de caráter comum, não ligamos para honra, para mérito, para dignidade. Somos solidários mais porque temos uma coisa que, infelizmente, não sei como chamar. Alguns chamam de bom coração, outros chamam de amor, mas o fato é que é um sentimento que nunca encontrei tão forte em nenhuma outra nacionalidade. É algo que nos faz brasileiros, que nos faz ser um povo diferente, cheio de contradição, cheio de sofrimento e alegria.
Cada brasileiro sabe a dor e a delícia de ter um passaporte verde.
Fim da quinta temporada


4 Comments:
Bonito isto que vc escreveu sobre os brasileiros.. vc é cheio de contradições, acho que a vida tá te fazendo ver coisas que antes não eram importantes...
Bjs
By
Marta, at 3/30/2007 01:29:00 AM
Thiagooooo...volta logoooooo...quero ir beber com vc.... apesar de que, nesse segundo eu tô beeeeem loka...nem sei como consegui ler alguma coisa e nem como eu to conseguindo escrever alguma coisa..kkkkkkk. Errei váaaarias, mas consegui consertar antes de te mandar...hehehe. Beijokas e volta looooogoooooooo!!!!!!
By
Raquel, at 3/30/2007 10:04:00 PM
Nao deveria nem estar aqui! humpt! depois da ignorada no msn fique magoada! snif!! hauahau
Ok, dramas a parte( pois eu brigo com vc pessoalmente no Brasil)
Gostei do que escreveu.
MAs asi vejo que cada vez mais sou menos brasileira.
Essa tal coisa que nao se tem nome e que vejo os brasileiros tendo aqui, nao esta assim tao agucada em meu coracao...
Menina ma??? I hope not....
See u soon!!
Bjos
By
LLI LLI, at 3/31/2007 09:23:00 AM
Chama-se "Afinidade" esse sentimento q Vc não sabe explicar. Afinal de contas foi no Brasil que VC nasceu, cresceu, conviveu e fez grandes amigos e isso fica marcado fortemente no nosso coração.
Volte logo, para reabastecer esse sentimento.
bjs
By
lff, at 4/01/2007 11:17:00 PM
Postar um comentário
Links to this post:
Criar um link
<< Home