Primeira parada: Hasting
O Sol já caía no horizonte e o velho Honda de Rodrigo continuava cortando caminho sobre as distantes estradas neozelandesas. No Brasil ainda era madrugada do dia anterior. Pensei por alguns segundos que aquele mesmo sol que desaparecia por entre as montanhas estava a caminho de minha terra natal para iluminar mais um dia que já vivera. Lentamente ele cruzaria todo oceano e chegaria ao Brasil deixando aquele minúsculo pedaço de terra no distante oriente cheio de sombras.
Nesse ponto cruzávamos uma estrada cheia de curvas e rodeada por um penhasco gigantesco. Geralmente as estradas na Nova Zelândia são bem seguras, mas essa não! Para nossa surpresa não existiam barras de protecao, qualquer movimento em falso e o carro deslizaria morro abaixo. A visão do penhasco fez-me ajeitar na cadeira segurando com força o puta-que-pariu:
- Fuck, man... what is that?
- Porra, cara... o que é aquilo?
Sem tirar os olhos da estrada Rodrigo respondeu:
- Stupid kiwis, why they do this? They have a lot of money!
- Kiwis estúpidos, por que eles fazem isso? Eles têm muito dinheiro!
O Sol do fim da tarde cobriu o penhasco de laranja. A cadeia de montanhas me lembrava muito o deserto de Benock Burn em Cromwell.
Ficamos ambos um tempo sem falar, apreensivos.
De repente o carro começou a fazer um barulho estranho. Olhei para Rodrigo, e ele não disse nada. Prendi a respiração e resolvi ficar quieto.
O barulho continuou.
Novamente olhei para ele na esperança dele dizer algo.
Nada!
O barulho aumentou! Era um ruído de ferro com ferro que provavelmente vinha do eixo do carro, irritando os ouvidos.
Resolvi falar:
- Rodrigo... I think your car is doing a strange noise
- Rodgrigo...Acho que seu carro está fazendo um barulho estranho.
- For fuck sake, man, I know! respondeu demonstrando que tambem estava assutado.
- Que porra, cara! Eu sei.
Fiquei quieto e respirei fundo.
Finalmente o carro cruzou a última curva do penhasco adentrando uma estrada de duas pistas bem mais segura. O barulho continuou. Não paramos para ver o que era, continuamos percorrendo a estrada, e o ruído nos acompanhou por todo caminho até a próxima cidade.
Eram umas 10 horas da noite quando chegamos em Hasting, uma cidadedezinha no meio da Ilha Norte.
- Ok, man... I think it is better if we sleep here, disse Rodrigo.
- Ok, cara...Acho melhor a gente dormir aqui.
Paramos num posto, pedimos informação e dirigimos até o Holiday Park mais próximo. Estava fechado. Toquei o interfone, e uma mulher, com voz de sono, disse que os check-ins eram até às 22h.
- But it’s five past ten.
- Mas é 10:05.
- Well, I guess five past ten is not ten o'clock, is it?
- Bem, acho que 10:05 não são 10 em ponto, é?
Dirigimos pela cidade para tentar achar um backpack. Nada, tudo fechado!
Incrível, mas as cidadezinhas na Nova Zelândia morrem após as dez.
Por fim, depois de horas de procura, encontramos um hotel que nos cobraria 25 dólares por um quartinho. Odeio hotéis, mas esse era pegar ou pegar!
No dia seguinte andamos pela cidade. Rodrigo ficou encantado, adorou o lugar e perguntou se não era melhor se trabalhássemos e morássemos por ali mesmo. Não achei nada de mais em Hasting, era só mais uma cidade pequena, ajeitadinha, mas micro cidade por micro cidade fico aqui mesmo. Só precisava me certificar de algo antes. Caminhei até o Information Center e perguntei:
- Sorry, do you have cinema in Hasting?
- Desculpe, vocês têm cinema em Hasting?
- Yes, there is one in...
- Sim, tem um na...
- No, no , you don't need to say me where it is... thanks!
- Não, não, não precisa me dizer onde que é...obrigado!
Virei para Rodrigo e disse:
- Ok, we can stay here!
- Ok, podemos ficar aqui!
Fizemos o check-out no hotel e fomos para a cidade arrumar emprego. Alguns poucos contatos com locais nos levaram até uma agência de emprego rural... uma tal de Pick.co.
O que mais existe na Nova Zelândia é emprego rural. Centenas de agências procuram desesperadamente por trabalhadores a fim de preencher o tão defasado quadro de funcionários das fazendas. O lema na Nova Zelândia é: com preguiça de procurar emprego? Vá para as fazendas! Não é necessário entrevista, qualificação, teste... nada! Chegou, trabalhou!
Adentramos o local e perguntamos por trabalho. A kiwi da recepção abriu um largo sorriso:
- For sure, here in Hasting you'll find a lot of jobs with apples. It's time now for the apple picking. - Mas claro, aqui em Hasting vocês vão encontrar muitos empregos com maças. É época de colheita.
Nos entreolhamos:
- Whatever...
- Que seja...
- Ok, I just need to see your passaports and your permits.
- O k, só preciso ver seus passaportes e suas permissões.
Mostramos os passaportes e quando ela olhou o meu disse:
- Oh, you are brazilian! Sorry, but we don't do seasonal work here.
- Oh, você é brasileiro! Desculpe, mas não fazemos “seasonal work” aqui.
Ok, mais uma vez vou explicar a questão do visto. Não tenho o Work Holiday, o Brasil não tem esse acordo com a Nova Zelândia ao contrário do Chile e outra centena de países. Quando ela falou do tal seasonal work, ela se referiu a um tipo de visto especial concedido na Ilha Sul. Ou seja, sendo brasileiro eu só posso trabalhar legalmente nas regioes de Marlborough ou Otago e só! Não sou bem-vindo na Ilha Norte.
Fiquei meio zonzo com a informação... essa era nova! E agora? Não tinha dinheiro para voltar para a Ilha Sul, estava preso aqui, me fodi! Devia ter pensado melhor, seu idiota!
Ela percebeu que eu fiquei baqueado e disse baixinho:
- I know, it's a shame. But you know, New Zealand needs a lot of workers for this area. I cannot give you any job because we are, you know, a "job agency", here must be everthing by the book, but I cannot intercept you to take a look in the board in the wall I have there. You'll find some employers who'll not mind with the fact you are brazilian.
- Eu sei, é uma pena. Mas você sabe, a Nova Zelândia precisa de muitos trabalhadores para essa área. Não posso dar nenhum emprego pra você porque nós somos, sabe, uma “agência de emprego”, aqui precisa ser tudo anotado, mas eu não posso impedir você de dar uma olhada no quadro de avisos que eu tenho ali na parede. Você vai encontrar alguns empregadores que não vão se importar com o fato de você ser brasileiro.
A-ha! Cada país tem o jeitinho para o que precisa.
Pegamos dois telefones no mural. O primeiro de um sujeito chamado Chacka e o segundo chamado John Lee.
Fomos até a praça central e Rodrigo me passou o celular:
- You call!
- Você liga!
Liguei para o primeiro. Pelo seu "hello" já saquei que era indiano:
- Hello!... You need a job? For sure, I'll meet you in the square at 5 pm.
- Alô!... você precisa de emprego? Claro, eu te encontro na praça às 5 da tarde.
Liguei para o outro. Pelo "hello" já saquei que era chinês:
- Hello!... You need a job? Great, can you come to Napier at 7 o'clock?
- Alô!... precisa de um emprego? Ótimo, você pode vir para Napier às 7 horas?
Napier é uma cidade ao norte de Hasting. Uns quinze minutos de distância.
Andamos um pouco pela cidade até dar cinco horas. No horário marcado sentamos num banco de praça para esperar por Chacra.
- I bet the indian will dress a striped t-shirt, have gel in the hair, a big belly and bring five children.
- Aposto que o indiano vai vestir uma camiseta listrada, usar gel no cabelo, ter aquela barriga e trazer cinco crianças.
Rodrigo riu com minha descrição, mas seu riso não foi maior do que quando o sujeito apareceu extamente da maneira que descrevi... exceto pelo fato de estar carregando somente um criança.
Chacra disse que a “orchive” que trabalharíamos era mais afastada, numa cidadezinha fantasma chamada Waiupawa. Ele disse para pegarmos o carro e seguirmos ele.
Passamos pela cidade, que era basicamente um supermercado, um bar e uma igreja, e logo em seguida quebramos para outra estradinha rumo ao local de trabalho.
A fazenda era no meio do nada. Entramos com o carro pelo portão principal e avistamos milhares de macieiras que se estendiam até onde a vista alcançava. Um mar verde! Abri um pouco a janela e um cheiro de maça verde tomou conta do carro. Continuamos dirigindo até o núcleo da fazenda. O carro do indiano parou, saímos para conversar:
- So, the job is here... it's by contract, it means you earn by production. You can stay in the acomodation here, it's 40 dollars per week. The work is for 6 weeks, but you don't have days off, it's Monday to Monday! I know it's sounds scary, but I tell you: it’s a very good money!... sometimes you can make 900 dollars per week. You work, work, work a lot and can have a very happy New Year.
- Então, o trabalho é aqui...é por contrato, o que quer dizer que vocês ganham por produção. Vocês podem ficar na acomodação aqui, são 40 dólares por semana. O trabalho é por 6 semanas, mas vocês não tem folga, é de segunda a segunda! Sei que parece assustador, mas eu digo pra vocês: é uma grana muito boa!... às vezes você pode fazer 900 dólares por semana. Você trabalha, trabalha, trabalha e pode ter um Ano Novo muito feliz.
Pelo seu tom de voz ele estava desesperado para que disséssemos sim.
O indiano nos levou para mostrar a acomodação da fazenda. Era um barracão de madeira de dois andares. Na parte de cima ficavam os quartos, uma dezena deles. A visão dos quartos era assutadora: tudo em madeira podre e com 4 camas vagabundas cobertas com um colchão mofado e desengonçado; não tinha armários, não tinha cabides, não tinha cômoda, não tinha nada... era uma alcova na mais pura concepção da palavra.
O resto da “acomodação” também era de meter medo, parecia um galpão de escravos, um bunker da primeira guerra, tudo escuro, sujo e desarrumado.
Descemos e encontramos umas dezenas de tchecos fumando maconha na área de lazer, que nada mais era do que uma mesa do lado de fora com dois bancos de madeira podre.
O fato de encontrar os tchecos me empolgou. Eles são como uma lenda aqui na Nova Zelândia. As pessoas dizem: encontre um tcheco e você vai encontrar a grana.
Passei o caminho inteiro de volta tentando convencer Rodrigo a ficar:
- Are you crazy? Look at that! It's impossible to live there.
- Você está louco? Olha pra aquilo! É impossível viver lá!
- Man, if there is people living there, it's not impossible. And, besides, it's just once in your life, for just six weeks! After we'll have money to do whatever we want! I think it'll worth!
- Cara, se tem gente morando lá, não é impossível. E, além disso, é só uma vez na sua vida, por apenas seis semanas! Depois a gente vai ter dinheiro pra fazer o que a gente quiser. Acho que vai valer a pena.
- Ok, But let’s check the fucking chinese first.
- Ok, mas vamos dar uma olhada no chinês primeiro.
E então, antes do Sol se pôr, cortamos a estrada rumo a Napier.
Nesse ponto cruzávamos uma estrada cheia de curvas e rodeada por um penhasco gigantesco. Geralmente as estradas na Nova Zelândia são bem seguras, mas essa não! Para nossa surpresa não existiam barras de protecao, qualquer movimento em falso e o carro deslizaria morro abaixo. A visão do penhasco fez-me ajeitar na cadeira segurando com força o puta-que-pariu:
- Fuck, man... what is that?
- Porra, cara... o que é aquilo?
Sem tirar os olhos da estrada Rodrigo respondeu:
- Stupid kiwis, why they do this? They have a lot of money!
- Kiwis estúpidos, por que eles fazem isso? Eles têm muito dinheiro!
O Sol do fim da tarde cobriu o penhasco de laranja. A cadeia de montanhas me lembrava muito o deserto de Benock Burn em Cromwell.
Ficamos ambos um tempo sem falar, apreensivos.
De repente o carro começou a fazer um barulho estranho. Olhei para Rodrigo, e ele não disse nada. Prendi a respiração e resolvi ficar quieto.
O barulho continuou.
Novamente olhei para ele na esperança dele dizer algo.
Nada!
O barulho aumentou! Era um ruído de ferro com ferro que provavelmente vinha do eixo do carro, irritando os ouvidos.
Resolvi falar:
- Rodrigo... I think your car is doing a strange noise
- Rodgrigo...Acho que seu carro está fazendo um barulho estranho.
- For fuck sake, man, I know! respondeu demonstrando que tambem estava assutado.
- Que porra, cara! Eu sei.
Fiquei quieto e respirei fundo.
Finalmente o carro cruzou a última curva do penhasco adentrando uma estrada de duas pistas bem mais segura. O barulho continuou. Não paramos para ver o que era, continuamos percorrendo a estrada, e o ruído nos acompanhou por todo caminho até a próxima cidade.
Eram umas 10 horas da noite quando chegamos em Hasting, uma cidadedezinha no meio da Ilha Norte.
- Ok, man... I think it is better if we sleep here, disse Rodrigo.
- Ok, cara...Acho melhor a gente dormir aqui.
Paramos num posto, pedimos informação e dirigimos até o Holiday Park mais próximo. Estava fechado. Toquei o interfone, e uma mulher, com voz de sono, disse que os check-ins eram até às 22h.
- But it’s five past ten.
- Mas é 10:05.
- Well, I guess five past ten is not ten o'clock, is it?
- Bem, acho que 10:05 não são 10 em ponto, é?
Dirigimos pela cidade para tentar achar um backpack. Nada, tudo fechado!
Incrível, mas as cidadezinhas na Nova Zelândia morrem após as dez.
Por fim, depois de horas de procura, encontramos um hotel que nos cobraria 25 dólares por um quartinho. Odeio hotéis, mas esse era pegar ou pegar!
No dia seguinte andamos pela cidade. Rodrigo ficou encantado, adorou o lugar e perguntou se não era melhor se trabalhássemos e morássemos por ali mesmo. Não achei nada de mais em Hasting, era só mais uma cidade pequena, ajeitadinha, mas micro cidade por micro cidade fico aqui mesmo. Só precisava me certificar de algo antes. Caminhei até o Information Center e perguntei:
- Sorry, do you have cinema in Hasting?
- Desculpe, vocês têm cinema em Hasting?
- Yes, there is one in...
- Sim, tem um na...
- No, no , you don't need to say me where it is... thanks!
- Não, não, não precisa me dizer onde que é...obrigado!
Virei para Rodrigo e disse:
- Ok, we can stay here!
- Ok, podemos ficar aqui!
Fizemos o check-out no hotel e fomos para a cidade arrumar emprego. Alguns poucos contatos com locais nos levaram até uma agência de emprego rural... uma tal de Pick.co.
O que mais existe na Nova Zelândia é emprego rural. Centenas de agências procuram desesperadamente por trabalhadores a fim de preencher o tão defasado quadro de funcionários das fazendas. O lema na Nova Zelândia é: com preguiça de procurar emprego? Vá para as fazendas! Não é necessário entrevista, qualificação, teste... nada! Chegou, trabalhou!
Adentramos o local e perguntamos por trabalho. A kiwi da recepção abriu um largo sorriso:
- For sure, here in Hasting you'll find a lot of jobs with apples. It's time now for the apple picking. - Mas claro, aqui em Hasting vocês vão encontrar muitos empregos com maças. É época de colheita.
Nos entreolhamos:
- Whatever...
- Que seja...
- Ok, I just need to see your passaports and your permits.
- O k, só preciso ver seus passaportes e suas permissões.
Mostramos os passaportes e quando ela olhou o meu disse:
- Oh, you are brazilian! Sorry, but we don't do seasonal work here.
- Oh, você é brasileiro! Desculpe, mas não fazemos “seasonal work” aqui.
Ok, mais uma vez vou explicar a questão do visto. Não tenho o Work Holiday, o Brasil não tem esse acordo com a Nova Zelândia ao contrário do Chile e outra centena de países. Quando ela falou do tal seasonal work, ela se referiu a um tipo de visto especial concedido na Ilha Sul. Ou seja, sendo brasileiro eu só posso trabalhar legalmente nas regioes de Marlborough ou Otago e só! Não sou bem-vindo na Ilha Norte.
Fiquei meio zonzo com a informação... essa era nova! E agora? Não tinha dinheiro para voltar para a Ilha Sul, estava preso aqui, me fodi! Devia ter pensado melhor, seu idiota!
Ela percebeu que eu fiquei baqueado e disse baixinho:
- I know, it's a shame. But you know, New Zealand needs a lot of workers for this area. I cannot give you any job because we are, you know, a "job agency", here must be everthing by the book, but I cannot intercept you to take a look in the board in the wall I have there. You'll find some employers who'll not mind with the fact you are brazilian.
- Eu sei, é uma pena. Mas você sabe, a Nova Zelândia precisa de muitos trabalhadores para essa área. Não posso dar nenhum emprego pra você porque nós somos, sabe, uma “agência de emprego”, aqui precisa ser tudo anotado, mas eu não posso impedir você de dar uma olhada no quadro de avisos que eu tenho ali na parede. Você vai encontrar alguns empregadores que não vão se importar com o fato de você ser brasileiro.
A-ha! Cada país tem o jeitinho para o que precisa.
Pegamos dois telefones no mural. O primeiro de um sujeito chamado Chacka e o segundo chamado John Lee.
Fomos até a praça central e Rodrigo me passou o celular:
- You call!
- Você liga!
Liguei para o primeiro. Pelo seu "hello" já saquei que era indiano:
- Hello!... You need a job? For sure, I'll meet you in the square at 5 pm.
- Alô!... você precisa de emprego? Claro, eu te encontro na praça às 5 da tarde.
Liguei para o outro. Pelo "hello" já saquei que era chinês:
- Hello!... You need a job? Great, can you come to Napier at 7 o'clock?
- Alô!... precisa de um emprego? Ótimo, você pode vir para Napier às 7 horas?
Napier é uma cidade ao norte de Hasting. Uns quinze minutos de distância.
Andamos um pouco pela cidade até dar cinco horas. No horário marcado sentamos num banco de praça para esperar por Chacra.
- I bet the indian will dress a striped t-shirt, have gel in the hair, a big belly and bring five children.
- Aposto que o indiano vai vestir uma camiseta listrada, usar gel no cabelo, ter aquela barriga e trazer cinco crianças.
Rodrigo riu com minha descrição, mas seu riso não foi maior do que quando o sujeito apareceu extamente da maneira que descrevi... exceto pelo fato de estar carregando somente um criança.
Chacra disse que a “orchive” que trabalharíamos era mais afastada, numa cidadezinha fantasma chamada Waiupawa. Ele disse para pegarmos o carro e seguirmos ele.
Passamos pela cidade, que era basicamente um supermercado, um bar e uma igreja, e logo em seguida quebramos para outra estradinha rumo ao local de trabalho.
A fazenda era no meio do nada. Entramos com o carro pelo portão principal e avistamos milhares de macieiras que se estendiam até onde a vista alcançava. Um mar verde! Abri um pouco a janela e um cheiro de maça verde tomou conta do carro. Continuamos dirigindo até o núcleo da fazenda. O carro do indiano parou, saímos para conversar:
- So, the job is here... it's by contract, it means you earn by production. You can stay in the acomodation here, it's 40 dollars per week. The work is for 6 weeks, but you don't have days off, it's Monday to Monday! I know it's sounds scary, but I tell you: it’s a very good money!... sometimes you can make 900 dollars per week. You work, work, work a lot and can have a very happy New Year.
- Então, o trabalho é aqui...é por contrato, o que quer dizer que vocês ganham por produção. Vocês podem ficar na acomodação aqui, são 40 dólares por semana. O trabalho é por 6 semanas, mas vocês não tem folga, é de segunda a segunda! Sei que parece assustador, mas eu digo pra vocês: é uma grana muito boa!... às vezes você pode fazer 900 dólares por semana. Você trabalha, trabalha, trabalha e pode ter um Ano Novo muito feliz.
Pelo seu tom de voz ele estava desesperado para que disséssemos sim.
O indiano nos levou para mostrar a acomodação da fazenda. Era um barracão de madeira de dois andares. Na parte de cima ficavam os quartos, uma dezena deles. A visão dos quartos era assutadora: tudo em madeira podre e com 4 camas vagabundas cobertas com um colchão mofado e desengonçado; não tinha armários, não tinha cabides, não tinha cômoda, não tinha nada... era uma alcova na mais pura concepção da palavra.
O resto da “acomodação” também era de meter medo, parecia um galpão de escravos, um bunker da primeira guerra, tudo escuro, sujo e desarrumado.
Descemos e encontramos umas dezenas de tchecos fumando maconha na área de lazer, que nada mais era do que uma mesa do lado de fora com dois bancos de madeira podre.
O fato de encontrar os tchecos me empolgou. Eles são como uma lenda aqui na Nova Zelândia. As pessoas dizem: encontre um tcheco e você vai encontrar a grana.
Passei o caminho inteiro de volta tentando convencer Rodrigo a ficar:
- Are you crazy? Look at that! It's impossible to live there.
- Você está louco? Olha pra aquilo! É impossível viver lá!
- Man, if there is people living there, it's not impossible. And, besides, it's just once in your life, for just six weeks! After we'll have money to do whatever we want! I think it'll worth!
- Cara, se tem gente morando lá, não é impossível. E, além disso, é só uma vez na sua vida, por apenas seis semanas! Depois a gente vai ter dinheiro pra fazer o que a gente quiser. Acho que vai valer a pena.
- Ok, But let’s check the fucking chinese first.
- Ok, mas vamos dar uma olhada no chinês primeiro.
E então, antes do Sol se pôr, cortamos a estrada rumo a Napier.


5 Comments:
Thiago!
Vc gosta é de roubada, né???
By
Carolina Maria, at 1/27/2007 02:28:00 PM
O "jeitinho", pelo visto, tem em qualquer lugar do mundo, basta apenas descobrir "como".
1 abração
By
lff, at 1/27/2007 02:51:00 PM
Sr. Kiwi Foresti,
Décio Viotto está aqui na MN reclamando de suas incursões offroad, e o acusa de pederastia aguda com o Maori com a qual dividiu a cela. É verdade? Ele também está fazendo considerações a respeito da utilização de substâncias ilícitas por parte de V.Sa.; o nome da dupla Kleiton e Kleidir (é assim??) também foi mencionado.
Um abraço,
Sérgio
By
Anônimo, at 1/29/2007 03:17:00 PM
qual foi a proposta do chinês??? A quarta temporada está muiot lenta, olha o ibope hein!!! Beijinhos!!!
By
Anônimo, at 1/30/2007 02:08:00 AM
o sergitoooooo.... que saudade do sergito e seu humor...
mancada deixar a historia no meio assim!
By
Mariana, at 1/30/2007 01:53:00 PM
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